Quando o Vento Pára de Soprar – Parte 3

Havia quase três dias que  Ruppert Wilson não trocava de roupa e não parava de chorar. Haviam acabado as bebidas,e pela primeira vez em tantos dias ele não acordava ainda bêbado. O  sol batia em seu rosto e o fazia querer abri-los mas não poder. Talvez, muita coisa na vida fosse exatamente assim, o mesmo motivo que  aguça-lhe tomar  uma atitude é também o que lhe impede de fazê-la. Mas sua cabeça doía muito para pensar nisso, tentou levantar segurando-se no corrimão da varanda onde havia dormido. Debruçou-se sobre ele enquanto o mundo rodava e vomitou.

Sua escrava ouvindo o barulho veio ajuda-lo a entrar em casa, preparou seu banho e depois o pós na cama. Só então Ruppert Wilson percebeu quão fundo chegou, sem sua filha, sem dinheiro e sem dignidade alguma. Não consegui pensar em uma solução, pensava apenas no que estava ocorrendo e o desespero tomava conta de sua mente e fazia seu corpo doer fisicamente. Era a segunda vez que perdia quem mais amava, dessa vez levaram sua filha, aquela que ele havia prometido cuidar e nunca fazer sofrer.

O que mais doia era saber que não conseguiu contar toda verdade para Elisabeth nem na última hora. Não contou porque teve que ficar na fazenda com caseiro ou porque não fugiu com ela, sabia que isso daria outra cara para a  história, principalmente aos olhos de Elisabeth. Ela sabia apenas de todos os problemas mal resolvidos que havia ficado entre os dois, e pelas conclusões que tomou, Anthony Paul II era digno de toda má fama que tinha e preferia nem ter contato com o ser humano tão rude.

Ruppert Wilson e Anthony Paul II eram bem diferente dos homens que todos conheciam, antigamente eram amigos apesar da diferença de idade, estudaram juntos e por provocação do destino começaram a gostar da  mesma moça. A paixão não era tão grande, mas o sabor da disputa fez os amigos esquecerem o que eram, tornando-os inimigos. Meses em uma disputa pouco reservada que dava margens aos mais perversos comentários, Tany, alvo da disputa, foi encontrada brutalmente assassinada. A culpa caiu imediatamente sobre Anthony Paul II pelo seu jeito de ser. Ruppert Wilson casou-se imediantamente com a irmã mais nova de Tany, Catherine, por quem descobriu-se perdidamente apaixonado e esse casamento impediu qualquer possibilidade de diálogo entre os dois amigos. Assim, Anthony II sentiu-se obrigado a mudar para outra região, permanecendo lá até ter coragem de voltar para vila de Stekmouly.

Catherine morreu no seu 16º aniversário, dois dias após dar a luz à Elisabeth. Morreu sorrindo e segurando a mão de Ruppert Wilson, por quem foi apaixonada até seu último suspiro de vida, ele que havia lhe proporcionado um casamento imensamente feliz. Os cuidados da filha órfã ficou por conta de uma escrava comprada de Anthony Paul I, e enquanto a menina crescia Ruppert Wilson construia um mundo imaginário no qual esperava ansioso pela volta de Catherine, por encontrar o quarto bagunçado com seus vestidos e o cheiro dos seus cabelos que deixava qualquer roseira constrangida. A órfã criada pela escrava, cresceu madura demais pera sua idade, suas preocupações, trejeitos, atitudes sempre foram diferentes da outras meninas e sua fisionomia asemelhava-se cada dia mais a da sua tia, Tany. Era muito discreta e poupava aborrecimentos não frequentando as rodas da sociedade que tanto detestava.

A imaginação de Ruppert Wilson ia e vinha em uma pulsação perturbante, pensava em como estaria sua filha, quando teria notícias, se ainda a encontraria, se ela o odiava naquele momento. Nesse instante ouviu o barulho de um carro, e ao olhar pela janela decepcionou-se ao ver que era apensas seu sobrinho, John. Não teve forças para ir recebe-lo, seus pensamentos perdiam-se nas colinas ensolaradas para onde o trem que levava sua filha tinha seguido.

Longe dali, em baixo de um céu nublado os capatazes tiraram os pertences de Elisabeth do vagão e posteriormente a moça, jogando-a no imenso pátio aonde muito bem vestido Anthony Paul II a esperava. Elisabeth olhou ao redor, voltando a olhar para a barra de seu vestido no exato momento que seus olhos encontraram no meio do pátio um tronco, aonde provavelmente chicoteavam os escravos. Talvez fosse aquele seu destino, ela preferiu não pensar, havia contido seu choro, mas não conseguia levantar a cabeça. Ouviu em meio aos barulhos que a chuva fazia nas folhas das árvores, a o som pesado das botinas de Anthony II a se aproximar. Cada passo trazia um calafrio que percorria todo seu corpo, quando pode ver a cor negra das botinas seus pés ousaram moverem-se para trás, ele segurou-a pelos braços com força desnecessária para mante-la ali. Haviam muitos escravos e capatazes observando a cena, mas ela já não podia optar pela discrição, deixou seu corpo cair ao pés de Anthony II.

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