Quando O Vento Pára de Soprar – Parte 4

– Meu filho, você vai sair justo agora? Espere que tenho que ajustar somente mais um lado desse terno menino.

Mal acabara a frase, a porta batia por trás daquele rapaz, que na pressa, havia saído com o chapéu do senhor que visitava a casa naquela manhã, o alfaiate. Mas o que lhe chamava mesmo a atenção estava longe dali… Talvez, até mais longe que ele imaginava, mas torcendo para não estar. Secretamente, com seu olhar sério, torcia para não estar. Mas esperava não aparentar tal ato, o que poderia por seu futuro em risco.

Desde pequeno sempre fora assim, nasceu em uma família dona de um dos maiores bancos de StekMouly. O único para falar a verdade, porém, a medida que ia crescendo a cidade ia crescendo junto ao seu redor, e isso desencadeou em uma expansão de recursos e demanda, trazendo pra cidade um banco concorrente. Boas ofertas, simulações e começou a tomar alguns clientes novos, porque os antigos eram sempre fiéis com o banco que sempre os ajudou. A família dele então passou a armar estratégias para não perder novos clientes e a melhor de todas, unir os patrimônios de uma forma que em cidades como aquela era comum: Casando os herdeiros.

E foi o combinado, enquanto Jhon foi crescendo, já sabia que estava prometido em casamento, mas para a sorte dele sua futura esposa era a pessoa mais linda que ele já vira naquela cidade. Mesmo que ela não o visse com bons olhos, achava que nada poderia tirar o titulo de maior beleza daquele local. Então, apenas torcia para que os dias passassem depressa para o fim de poder consumir o que tomava suas noites em sonho constantemente: uma família com uma esposa linda. E ainda mais, era uma filha de Duquesa. Tinha tudo pra dar certo e estava,quando anos mais tarde o que todos esperavam aconteceu. Seu pai era tuberculoso e a qualquer momento poderia estar caindo em enfermidade, e quando o fez, não resistiu. Um luto na cidade que ajudou a construir e o legado da família passou então para Jhon Marquez, o novo Diretor-Proprietário do Banco Marquez.

Entre os clientes antigos e mais assíduos do banco, um deles chamava a atenção: Ruppert Wilson. Era um bom pagante, ganhou grandes rendimentos, porém após a morte de sua esposa, que ocorreu durante o seu nascimento, ele mudou. O pai de Jhon sempre contava como era um bom colaborador e como era próspero, mas o Ruppert de hoje não se parecia nada com o Ruppert que seu pai contava, mas antes de partir seu pai pediu uma atenção especial em cima de Ruppert pelos velhos tempos, quando era conselheiro do Banco.

Em sua primeira incursão como proprietário do banco, resolveu exatamente conhecer Ruppert e ver ser havia possibilidade de recuperação de um grande talento, quem sabe até o recontratar para fazer o banco prosperar na nova fase, porém o que ele encontrou foram apenas garrafas vazias e muitas fichas de jogo com debêntures, promissórias e títulos de dividas. Por outro lado, o banco ia bem quando se casou com a filha da Duquesa, o que lhe deu direito de expandir seu banco em uma das fusões mais comentadas da região, porque tal fusão o tornava um dos homens mais ricos da região,o que contrastava com sua humildade e cordialidade, enquanto outros donos de grandes corporações como a sua eram cruéis e não se importavam com o mínimo de cordialidade e eram bastante rudes, Jhon sabia manusear e com o tato sensível conseguia repreender e agradar ao mesmo tempo.

Seu casamento era muito bem visto, dado a que as colunas sociais da época sempre os colocavam em primeiro lugar no quesito casal perfeito e modelo de social. O amor de um pelo outro era sempre bem visto, bem medido e ainda por cima, tinham a responsabilidade de mensurar as trocas de carinho de acordo com o meio em que se encontravam. Nunca demais, nunca de menos. Quem os via até pensava que eram perfeitos demais e que havia algo errado, porém o que demonstravam ser, eram. Até certo dia.

Na lista de reuniões do dia alguém incomum, que não sabiam se classificava como cliente novo ou antigo: era Elizabeth. Quando a viu, notou algo que realmente lhe tirara a atenção porque suas bochechas eram lindas. Algo que o arremetia a uma admiração tal qual ele nunca tinha visto antes, algo que além de fabuloso era quase como mágico. Ele se hipnotizou como se em um transe do qual não sabia se queria sair ou queria continuar. Ahhh como ele queria aquelas bochechas em sua amada, ou pelo menos o observando todos os dias, desejando que lhe acompanhassem até o carro pra então poder ir embora se comprimindo em um sorriso ou se alongando em um beijo atirado no ar. Ao acordar do transe, foi notando palavras se formando em sua cabeça, era Elizabeth conversando e dizendo que só tinha ido por ser o último recurso, então uma coisa lhe fez o foco dele se centralizar: ela chorava. Até então ele só havia relacionado choro com coisas ruins,porém, a forma como as lágrimas escorriam de suas bochechas faziam-nas se distorcerem como vidros que distorcem toda a fantasia dos sentimentos ali escondidos, eram como lentes de aumento ou como gotas purificadoras.

Desfeito de vez do transe começou ali sua relação com Elizabeth, mas jamais relações amorosas, não, jamais, porque amava sua esposa acima de tudo. Porém, aquelas bochechas…O que poderia fazer por aquelas bochechas…Não eram quaisquer bochechas e sim duas perfeitamente coradas, agora mais por estarem úmidas de pranto, mas ele as queria, se houvesse uma forma de tê-las. Mas então quis saber a razão de tudo aquilo, foi então que soube a verdadeira historia sobre Ruppert, e soube que aquelas bochechas pertenciam a filha dele. Então, por mais insano que parecesse, por aquelas bochechas, salvaria Ruppert.

Mas começaram ai suas dores de cabeça. Ruppert estava muito viciado em bebidas e jogos, e seus bens iam por água abaixo com muita rapidez e velocidade, com base nisso ele tentou salvar várias vezes, fazer empréstimos absurdos sem garantia nenhuma, porque toda vez que a situação ficava crítica, aquelas bochechas viam acompanhando sua dona em busca de uma ultima alternativa. POrém, para tudo existe um limite, e o de Ruppert já tinha chegado há muito.

Jhon já começava a desembolsar de seu próprio bolso e o prejuízo começava a incomodar, sem contar que a cúpula não entendia o porquê de ele ainda sancionar créditos a Ruppert sendo que ele se tornara um mal pagador. Com essa mentalidade e a pressão tanto externa quanto interna, porque aquilo tudo só tinha uma razão pra ainda estar acontecendo que eram as bochechas, mas com uma firmeza tamanha que pareceu ser até rude, Jhon disse que não mais iria ajudar Ruppert e teve que ver pela ultima vez, aquelas bochechas úmidas de lágrimas de esperança. Ele não sabia ser a ultima, mas desejava que fossem, porém, estava de mãos atadas. Mas seu próprio eu interior não o deixava deixar por ali resolvida a história e foi conversar com Ruppert e tentar fazê-lo mudar, nem que fosse preciso contratá-lo pra seu banco, porque as bochechas tinham como aliado seu falecido pai. Foi ai então que soube da “Ultima Cartada” de Ruppert, ele perdeu até mesmo seu bem mais precioso, a filha, no jogo. Que agora estava lá, prostrada aos pés de Anthony II.



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