ESCRAVO DO PLATONISMO PARTE V

Um Post de Everton Felipe

Esta história é baseada em fatos reais…O que não significa que tudo nela seja uma verdade.

Enfim né… Após um longo hiato tanto do blog,passamos uma temporada em projetos paralelos, quanto desta própria série, hiato tão grande que eu até tinha esquecido a próxima história  e sua continuação… Mas lembrei e vamos a ela…Somente relembrando… Nos episódios anteriores eu expliquei quem era Kássia e o porquê de ela ter marcado minha vida, porém meu momento mais marcante com ela não foi um dos mais bonitos…Segue-se então a narrativa.

Um dos maiores dilemas da vida, querendo-se ou não é o fato de que nós, seres humanos, temos necessidades mil. Temos um monte delas. Dentre elas a necessidade de ser feliz,pra que possamos passar e manter uma outra necessidade, a de se ter uma boa imagem para as pessoas que nos acompanham, porém essa imagem vem da necessidade de convivermos com outras pessoas.Porém,com algumas  dessas pessoas, acabamos por querer conviver demais, ou seja,meio que… passar a vida com elas né… Mas o que vem ao caso agora é mais uma das histórias de uma menina pela qual eu quis um dia ter ao meu lado pelo resto da vida…Mas uma necessidade em especial tirou toda a minha motivação para tal e sim…é a necessidade fisiológica.

Eis que estudava em um colégio de irmãs da minha cidade, porém não eram daqueles que eram fechado somente pra meninas claro. Sempre fui um dos que mais apreciavam a leitura, logo, rato de biblioteca e ainda por cima, totalmente anti-social e tímido, porém os tímidos também se sentem apaixonados. E minha paixão da vez era ela…Kássia. Suas características ja foram expostas mais cedo nesse blog então vamos ao que interessa.

O terceiro bimestre me era o mais importante porque era o bimestre onde eu fechava todas as matérias e por isso, ficava a toa no quarto bimestre já que havia sido aprovado nas demais. Porém, o que mais era interessante é que nessas épocas, eu me enclausurava na biblioteca de um modo diferente, porque eu estudava bastante claro e com isso me vinham bastante tempo em meio àqueles tantos livros que me eram postos ao favor. E sempre me permitia ler alguns livros nada a ver com a matéria após ter realizado os trabalhos e tudo o mais. Era época de parquinho sim, mas eu era grande pra ele e era estranho ficar lá, ser maior que as outras crianças tem lá suas desvantagens.

Certo dia eis que estando na biblioteca como o de costume, a natureza me chama. Saio tranquilo andando pela escola e, literalmente, atravessando-a para ir ao banheiro masculino, número 1 pra deixar mais claro. Eis que então após aliviar-me ouço uma conversa que um de meus colegas de classe, o temível Pedro…Abrindo parêntese deixe-me explicar um pouco sobre esse ser de estereótipo tão comum. Pedro era um daqueles rapazes que as meninas so falavam dele. Os deveres, eram feitos por ela. Namoradas, ele tinha um monte, e esse monte se aceitava. Beleza, pra ele era algo comum, ja que estava acostumado a ser chamado de gracinha desde que era bebê, e isso nunca mudou. Gerava inveja sim de vários garotos, admito, eu era um deles, porque eu sempre me destacava na escola com notas o que era um esforço e tanto, ele não. Por ser bonito ganhava a atenção das meninas, dos rapazes populares que andavam com ele pra contar vantagem com as meninas e principalmente das professoras que iam demais com a cara dele, logo tinham uma preferencia especial por aquele menino. Fechando o parêntese…Voltemos… Logo ouvi um boato que Pedro estava andando de mãos dadas com uma menina. Normal isso a ponto que todo dia ele fazia isso com uma diferente, menos com minha Kássia que dizia que não aceitava o fato de ele ficar iludindo e tendo muitas namoradas. Toda vez ao ouvir isso, eu ficava feliz por dentro e louico de vontade de dizer que sim…eu era diferente…Eu queria somente ela. Sei lá… Não se tem muitas ambições com a idade que eu tinha (7 anos) mas so sei que queria estar muito muito muito do lado dela.

Retomando, disseram que o Pedro estava andando de mãos dadas com a nova namoradinha. O que não era novidade pra mim, porém quando perguntado sobre quem era…Eis que disseram algo que abalou meu mundo…Kássia … Sim…Ele podia estar namorando com a minha Kássia… Mas podia ter outras pelo colégio. Mas o curioso perguntou qual delas. E quando disseram, a da 1ª A, tudo ao meu redor ficou branco e voltou… Acho que esse é o sintoma de quando se descobre que você está sendo “traído”. Tudo bem que nunca tive coragem de dizer pra ela o que eu sentia, realmente, mas não foi por falta de tentativas. Mas era aquela coisa. Eu queria ir, minhas pernas nao deixavam. Ou chegava alguem pra conversar com ela. Ou ela saía de onde estava sozinha. Era dificil pra mim criar todo um cenário e no final das contas, ela vir e acabar com tudo, nem que fosse ao menos se levantando. Me sentia um pouco traído sim, porém mais por mim do que por ela mesma.

Então, o que os olhos não vêem o coração não sente, mas nesse caso tinha sido o inverso. O coração tinha sentido sem mesmo eu ter visto nada. Mas então eu tinha que confirmar isso. Porém, o amor deixa as pessoas burras de verdade. Fato. E nesse dia não foi diferente. Eu não havia notado que o terror do colégio tinha aprontado mais uma das suas. Ele ligou a descarga e prendeu-a, fazendo com que o piso do banheiro estivesse cheio de água. Eu cego de decepção não notei isso e fui correndo pro corredor do banheiro, mas claro, escorreguei em toda aquela água. Minha velocidade é tanta ~parte nojenta da historia~ que eu saí escorregando pelo banheiro molhado e parei somente na porta. Como um garoto de 7 anos nao se contenta com isso, me levantei e com os olhos voltados pro pátio notei que era verdadeira a história dos meninos. Kássia e Pedro de mãos dadas. Por que? Então aquelas mais pesadas e dolorosas lágrimas brotaram dos olhos. Cair no banheiro é ruim? Sim, bastante. Porém serviu com um ótimo álibi pra disfarçar minhas lágrimas de um amante escondido, um platônico amor que se feria naquele momento e todos achavam que meu choro era de dor, quando a dor que mais estava lancinante em mim, ninguém sabia a razão.

Após esse dia, fiquei famoso como o “menino do banheiro” ganhei um uniforme novo porque o meu por razões óbvias estava inutilizável mas perdi a partir dali, qualquer amor que tinha por Kássia porque quando a vi rindo de mim ao passar todo molhado, vi que realmente não era a Kássia que eu tinha imaginado, porque a que tinha em mente, no coração e toda a imaginação, viria correndo atrás de mim me perguntando se eu estava bem, mas essa não, a verdadeira apenas sorriu para o Pedro quando ele disse: Que mané.

MOMENTO RECOMPENSA: Claro que tudo tem o seu lado bom, pra Kássia ter me marcado, ela também teria o seu. O que mais levei de momento feliz com Kássia foi quando certo dia indo pra escola me machuquei e fui pra sala de aula com um ralado no braço. A professora disse que ia pegar o estojo de primeiros socorros pra limpar meu machucado, mas Kássia prontamente se ofereceu pra ir buscar e acompanhou todo o momento em que a professora fazia o curativo. Ela olhou nos meus olhos com aqueles olhos e disse algo que nunca esqueci: “Liga não bobinho, isso ja ja passa.” E com aqueles olhos apertados com um sorriso, sim sim sim… Admito. Me apaixonei por ela nessa ocasião… E um amor platônico ali surgia.

BONUS: Essa não tem bônus porque nunca mais a vi. Quando acabou a 1ª série, Kássia tinha se mudado. E nunca mais a vi.

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