Maybe This Time – Parte I

“Maybe This Time, I’ll Be Lucky” . Essa foi a música que estava sendo executada em uma velha vitrola em uma loja da cidade, uma loja de velharias, apenas notei-a porque eu era fascinado por violoncelos, sempre quis tocar, porém minha mãe dizia que música não dava futuro, mas entre ser um violoncelista e um digitador, acho que me divertiria muito mais na música. Enquanto parei na porta da loja para escutar, sempre vem um vendedor perguntando o que desejo ou qualquer coisa do tipo, saiu insatisfeito com a resposta de que apenas a música me atraía. Admito, pensei mesmo em comprar uma vitrola apenas pra ouvir a música em casa o dia todo, mas caí em mim e vi que não valeria a pena.“Everybody Loves a Winner, so nobody loves me”.Fechei os olhos e comecei a deixar levar-me pelas batidas do piano, pelas notas leves do clarinete e claro, pelas batidas melódicas do violoncelo, porém, num estímulo da música, dou um passo para trás como em uma valsa invisível e vejo como a vida pode ser traiçoeira. Nesse exato momento passava pela calçada ao meu lado, ela, que há muito não via nem tinha esperança de ver, mas estava com pressa, vida corrida, rotinas traiçoeiras e por isso seu passo era apertado e teria chegado bem ao destino, se não fosse eu. Ao ir pra trás trombo-me diretamente com ela e com o impacto ela foi praticamente arremessada pra trás. Ela estava com um olhar primeiramente desnorteado, como se tivesse tentado atravessado uma barreira de vidro, dessas que parecem invisíveis, e tivesse colocado toda sua força contra ela. Mas essa parede era eu, e ao voltar aos poucos a si, ela me notou e viu que eu era o culpado. Por cavalheirismo claro eu peguei suas coisas no chão e pedi desculpas, ela aceitou, até ver quem realmente lhe pediu desculpas. Olhou pra mim com aquele olhar que é misto de desprezo, ódio, esperança, não se sabe qual a ordem exata em que aparecem, e enfim, pegou suas coisas saindo dizendo que de mim não esperava outra coisa. Tentei explicar que não era intencional, porém ela não queria me dar ouvidos. Não fiquei surpreendido com sua reação, porém, ainda não sei porque ela não me perdoou até hoje. Mas como diz a música “It’s gonna happen, happen sometime.”
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