Era uma vez…

bezerraReza a lenda que os primeiros Bezerras pisaram em terras brasileiras em meados de 1535, alguns dizem que vieram fugidos da perseguição aos judeus na Península Ibérica, outros contam que vieram do reino da Galícia de uma nobre linhagem portuguesa. Como esse texto não tem a menor caráter histórico tanto faz eles terem vindo da Europa ou de dentro de um cacto, o que vocês precisam saber é que desde de, aproximadamente, 1535 ser Bezerra não é só assinar um sobrenome, é raça.

Atualmente, assinar Bezerra é ter disposição e habilidade para enfrentar o faz-mala-desfaz-mala, vamos-não-vamos, é-agora-não-é que toda viagem reserva e ainda correr o risco de enfrentar milhas e milhas e não permanecer dois dias no paraíso. Olhando assim, me parece que foi essa família que deu origem ao ditado “o que importa é o caminho e não a chegada”, se não foram eles tenho certeza que o carregam como filosofia de vida.

Contam, algumas fotos, que eles acampam no quintal com outros Bezerras e amigos, e dizem os vizinhos que quando isso acontece eles acordam ao som de ‘Jacaré do Repente’, um cantor que provavelmente nenhum de vocês conhece, amém por isso. É, animados a gente não pode negar que eles são, porque qualquer situação fica divertida se houver mais de um Bezerra perto. Dizem as más e boas línguas que com eles qualquer um tem vontade de ir parar no fim-do-mundo-Jalapão, atolar o carro em um lameiro, apostar uma corrida na cidade (mentira polícia, ninguém aqui nunca fez isso!) ou ir para Nerópolis comprar doce de leite com pau-de-mamão. Sei lá, talvez o sangue nordestino, misturado com o tocantinense e as boas vibrações de Goiás fizeram esse povo ser tão divertido, animado e palpiteiro.

São palpiteiros sim, entre eles então… Quem nunca deu seu palpitezinho no Bezerra alheio que atire a primeira pedra. Mas dizem que o amor faz isso, que quando se ama e quer ver o outro bem a gente arrisca um palpitezinho ou outro para ver dá certo. É tipo a mega sena, todo mundo dá um palpite, mas no seu bilhete você aposta o que quer e quem decide quem ganha é a sorte. E se não der certo tem um rebanho de Bezerras para estender outro bilhete e dizer: “Tenta de novo”, porque isso é ser família.

Eles gostam de viver junto, andar junto, viajar junto, gravar vídeo junto, contar piada juntos e fazer show de mágica junto (um sucesso), e esse tal de ‘junto’ é o que melhor define os Bezerras. Os olhos de muitos não são nem de longe os melhores, conseguem organizar um pós-festa antes do sol nascer, possuem objetos e livros separados e extremamente organizados, adoram uma faxina e lavam os pés para almoçar, sem contar com a enorme paciência que possuem para esperar. Mas aos meus olhos são a melhor família Bucapé que alguém poderia ter.

Escrevi esse texto porque sempre falo de sentimentos aqui, e percebi que não poderia deixar de falar neste Bezerras que são o que eu sei de mais puro e verdadeiro sobre o amor. Tudo que juntos somos, o bem que juntos fazemos, o que sentimos e o quão real nós somos, tudo isso é amor. E do bom!

Não escolhi nenhum deles, mas reconheço que não haveria escolha melhor para ser minha família do que a foi feita por Deus. Se me fosse dado a oportunidade de fazer uma nova seleção não alteraria nada. Queria cada um deles de novo, porque cada um é e significa uma parte diferente do que eu sou.

A todos vocês, meus Bezerras, obrigada por estarem comigo em todas as crises de choro, as que seguraram comigo e as que causei, obrigado por sempre me mostrar que o mundo é um ‘trem’ maior que meu umbigo, por me ensinarem a valorizar aqueles que estão a minha volta e me darem sempre o direito de escolha. Obrigada por me ensinarem a ganhar e ver as coisas boas mesmo quando a vida está me ensinando a perder, obrigada por me fazerem entender que amor é aquele sentimento que sobrevive mesmo quando a pessoa te magoa, te manda embora, te faz chorar, é aquele sentimento que dá sentido maior aos sorrisos e nos motiva a enfrentar o mundo para fazer o bem. Muito, mas muito obrigada por cada “Mas e você, como você está?” que ouvi depois de cada história que contei, ou que me viram viver.

Não sou nem de longe a melhor pessoa do mundo, impaciente e relativamente mandona, roubo chocolates sem peso na consciência, a paciência enquanto não for minha a palavra final e não assumo meus relacionamentos. De fato um ser humano desprezível. (Essa é a hora que vocês falam, “Que isso, Meladinha.” rsrs) Porém, tenho usado a parte boa que existe em mim para a função mais nobre que me descobri capaz: amar vocês.

Não é fácil fazer parte de uma família, assim como nenhuma convivência é fácil, mas com vocês o mundo é um lugar melhor. Por vocês assinarem Bezerra é que me orgulho de carregar esse sobrenome.

Obrigada por tudo.

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