Pra falar da rosa

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É só pensar em escrever alguma coisa aqui e você me vem a cabeça. Como se, involuntariamente, meus dedos começassem a digitar sobre você independente do assunto. Mas o combinado era que você não seria pauta e o motivo está na minha incapacidade de manter os olhos secos.

Mas como não falar de você, se você está nos meus traços, na boca grande _que todo mundo jura ser da minha mãe_ e no meu jeito ruim de ficar com raiva? Você está na minha vontade de chegar cedo em casa, nos meus planos pro futuro e por isso eu preciso falar de você.

Pra início de conversa seu nome é lindo! Não só ele, seu cabelo grisalho também é um charme. Lembra quando você tentou pintar ele? O produto deixou uma cor encardida ao invés de preto e foram semanas de brigas até te convencer a parar de usar. Espero que eles voltem a crescer logo e que essa cabeça, agora lisinha, se encha com simpáticos fios grisalhos.

E por falar em beleza, a textura das suas mãos é igualmente linda e me remete a um passado em que, nas pontas dos pés eu me esforçava para alcançar a água da torneira enquanto você ensaboava as minhas mãos. Lembro da pele espessa e meus olhos encantados com quanta espuma você conseguia fazer com o sabonete.

Desde aquela época você tem bigode. Contrariando todas as leis da probabilidade _ e dos meus desejos_ você nunca errou ele nenhum bocadinho que lhe obrigasse a tirá-lo por inteiro. Eu sempre quis te ver sem ele, só pra dar uma variada, sr. Pedro, mas você colocou preço no bigode, super inflacionado diga-se de passagem, e eu deixei pra lá essa história de lhe convencer a tirá-lo. Agora, sem se quer pedir a nossa permissão a cada sessão ele vai sumindo das nossas vista um pouquinho.

Mas mexeu com seu bigode, mexeu comigo. Então, essa luta não é só sua, é nossa. Não vai ser fácil, isso já deu para perceber, mas posso te contar um segredo? Nós venceremos porque o nosso Deus é maior que esse e qualquer outro problema.

Nossa casa vai voltar a ter voz, porque ultimamente ela anda calada demais. Parece que a gente simplesmente parou de conversar para ouvir o tempo passar. Vai passar sr. Pedro, vai passar e logo tudo voltará ao normal. Você vai entrar na sala, trocar o canal da televisão e eu vou reclamar. Você vai brigar porque eu estou dormindo no sofá com a televisão ligada. A gente vai voltar a comer porcarias no domingo e as gripes serão só pequenos resfriado.

Até passar a gente vai ter que aprender uma outra forma de lidar com a vida. E ela vai continuar sendo linda como sempre foi. Sr. Pedro, ou como minha mãe prefere te chamar, Minha Rosa, até isso tudo acabar fique bem por nós dois, pois enquanto daí houver sua respiração de cá eu me mantenho inteira.

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