A Solidão Que Nada…

Ele entãobrun imaginou que fosse fácil passar a vida assim, o tempo todo com seus pais. Porém o que o mesmo não imaginava é que com a perda de sua mãe, seu pai entraria em parafuso e tudo começaria a ruir. O que mais o deixou abalado foi a forma que seu pai se enfiou na depressão, porém já era esperado pelo vínculo construído. Uma relação tão tenaz e bem construída que criou um laço de dependência tão grande que era quase impossível imaginá-lo desfeito. Sendo assim começou-se a tão agitada vida de um pai viúvo de 32 anos e seu filho de 18 recém formado no Ensino Médio.

No começo veio claro um desespero. Coisas da casa por fazer, roupas que não se lavavam sozinhas, comidas que não se faziam sozinhas e nem iam caminhando pra mesa. Foram três árduos meses trabalhados no miojo de todos os sabores possíveis e por incrível que pareça, todas as marcas foram experimentadas. Alguns acidentes claro, por exemplo quando a cozinha quase pegou fogo quando os dois assistiam MMA e uma linguiça fritava até virar carvão na cozinha. Quase se proibiram de fazer frituras, mas aconteceu.

O pior de tudo era a roupa. Se acumulou bem por umas duas semanas e foram virando mais duas e em uma medida desesperada, ambos preferiram comprar mais roupas até que não deu mais. Das duas uma, ou contratamos uma lavadeira ou aprendemos a mexer na máquina. Até pros tutoriais de YouTube sobrou mas eles não entenderam como que todas as roupas conseguiam ficar limpas com tão pouco varais disponíveis. Como ela conseguia? Vamos lavar o primordial e assim foi feito,mas o monte de roupas começou a ficar insuportável e o dinheiro que ia pra pizza mais cinema no shopping no final de semana foi destinado a uma lavanderia de uma senhorazinha que ficava a caminho do serviço, ao menos pras roupas não essenciais que os mesmos decidiram após uma longa discussão.

Desafios de quem era mimado e servido o tempo todo e do nada perdem tudo que os sustenta na vida, mas isso não era nada perto da solidão que mesmo ambos juntos, os mesmos sentiam. Se passou mais de um ano mas aquele vazio sempre ficaria ali. Poderia até mesmo ser mascarado, mas quem sabe o que viria pro futuro. Pensava assim o pai até o fatídico dia em que seu filho apresentou sua nova namorada. A partir daquele dia, a sensação de solidão do pai aumentou de uma forma gigantesca, não porque a sentia e sim porque temia que a única coisa que o segurava ali naquele mundo poderia estar iniciando um rumo de o abandonar também. Mal sabia ele que na verdade, isso poderia ser a resolução de seu problema…

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